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Pioneiras da Ciência do Brasil


Carolina Martuscelli Bori nasceu em São Paulo em 1924. Como muitas moças da época, formou-se professora na Escola Normal "da Praça". Na década de 40 ainda não haviam sido criados os cursos de Psicologia no Brasil, e Carolina graduou-se  em Pedagogia pela FFCL da USP, em 1947.  Tendo sido aluna  destacada na graduação foi convidada a lecionar psicologia na própria USP no ano de 1948. Entusiasmada com seus estudos foi para os Estados Unidos e concluiu o curso de mestrado na New School for Social Research, de Nova York, em 1953, sob orientação de Tâmara Dembo. Retornou ao Brasil e, em 1954 defendeu a sua tese de doutorado na USP, intitulada “Os experimentos de interrupção de tarefa e a Teoria de Motivação de Kurt Levin”, sob orientação da Dra. Anita C.M. Cabral. Tinha, então, 30 anos.
 
No trabalho de pesquisa, Carolina teve papel fundamental no estabelecimento do estudo científico da Psicologia no Brasil, tendo sido uma de nossas pioneiras na investigação experimental em Psicologia. Foi também a grande responsável pela introdução da Análise de Comportamento  em nosso país.
 
Carolina teve também grande dedicação ao ensino, não somente por suas atividades de professora na USP, onde foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em psicologia de 1970 a 1984, mas também porque participou da criação do Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília. Colaborou com o Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos, do qual foi diretora de 1976 a 1979 e com o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, no Rio de Janeiro.
 
Também teve atuação internacional, foi Research Associate e Visiting Professor do Institute of Latin American Research, da Universidade do Texas.
 
Carolina contribuiu muito para a publicação científica. Foi co-editora da revista Psicologia e membro do Conselho Editorial de diversas publicaçãoes, tais como Arquivos Brasileiros de Psicologia, Revista de Psicologia da USP eThe Journal of Personalized Instruction.
 
Entre 1986 e 1989 presidiu a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, destacando-se na tarefa de divulgar a ciência para o público em geral. Após o término de seu mandato na presidência da SBPC, Carolina Bori foi aclamada presidente de honra da entidade.
 
A professora Carolina teve um papel importante na implantação e consolidação da psicologia no Brasil, havendo liderado o movimento que defendeu a regulamentação da profissão de psicólgo no país, em 1962.  Ao ser criado o Conselho Regional de Psicologia, recebeu o registro de número 1. Esteve à frente das principais iniciativas no campo institucional da psicologia, participando da fundação da Sociedade Brasileira de Psicologia, da Sociedade de Psicologia de São Paulo, do programa de pós-graduação do Instituto de Psicologia da USP – que coordenou durante 15 anos –, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia.
 
Foi aposentada compulsoriamente na USP em 1994. Carolina referia-se à aposentadoria compulsória como “expulsória”, revelando seu desejo de continuar na ativa.
 
Foi distinguida com inúmeras honrarias pelos serviços prestados à divulgação da ciência:  título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília em 2000; Comendadora, em 1998; Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de São Carlos, em 2003; condecorada com a Grão-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico;  Professora Emérita da USP. No XXX CONAP, realizada na UNICAMP, na cidade de Campinas (SP) patrocinada pela Associação Nacional de Associações de Pós-Graduandos foi homenageada como a “eterna amiga da Ciência”.
 
Saudades de Carolina: Por Deisy das Graças de Souza http://www.abpmc.org.br/site/wp-content/uploads/2011/06/carolina.pdf