Divulgações do INCT-ECCE

Estudo é realizado em pessoas que receberam implante coclear

[06/06/2013]

A professora Ana Claudia Moreira Almeida Verdu do Departamento de Psicologia e da Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem da Faculdade de Ciências orientou, em parceria com a fonoaudiologia e o Setor de Implante Coclear do HRAC/USP/Bauru trabalho que foi premiado no II Hearing - Congresso Internacional de Surdez, Implante Coclear, Próteses Auditivas e Cirurgicamente Implantáveis. A co-orientação esteve a cargo das pesquisadoras Adriane de Lima Mortari Moret, USP/Bauru e Leandra Tabanez do Nascimento, HRAC/Bauru.

O mestrando em Psicologia da Unesp Anderson Jonas das Neves, que é bolsista FAPESP, obteve o primeiro lugar com o trabalho: Correspondência na Fala em Leitura e em Nomeação de Sentenças em Crianças com Deficiência Auditiva Pré-Lingual Usuárias de Implante Coclear. O link da premiação é . << http://www.forl.org.br/destaques_detalhes.asp?id=209 >> .

Segundo Ana Claudia trata-se de uma parceria celebrada entre a Unesp, o HRAC/USP - Equipe do Centro de Pesquisas Audiológicas e do Centro de Educacional do Deficiente Auditivo e a UFSCar, sob o escopo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE). “A proposta é conduzir investigações conceituais, procedimentais e aplicadas sobre o funcionamento simbólico em diferentes tipos de populações - humanos e não humanos”, explicou. Ela ainda destaca que em Bauru, “estudamos o funcionamento simbólico em crianças com deficiência auditiva pré-lingual, isto é, estão privadas de estimulação sonora, mesmo antes de aprenderem a falar, mas que receberam o implante coclear - aparelho colocado cirurgicamente na parte interna do ouvido e que restabelece a detecção sonora -, portanto necessitam aprender a dar significados aos sons da fala”, pontuou.

Na maior parte das crianças usuárias do implante coclear, aprender a ouvir e a falar ocorre incidentalmente pelo uso do implante e estabelecimento de interações verbais com as pessoas. Porém, em uma parcela desta população, as funções de ouvir e de falar não ocorrem no mesmo ritmo. A professora explica que as pesquisas têm sido realizadas no processo de reabilitação desses indivíduos e um dos aspectos focalizados é o "treinamento de habilidades auditivas" e as relações que o ouvir estabelecem com o falar.

São mais de dez anos de parceria desde a primeira dissertação defendida em 2000. Ela relata que hoje se conhece procedimentos muito eficazes no ensino de habilidades de reconhecimento auditivo e estão investigando de forma mais sistemática tanto o estabelecimento quanto a expansão de habilidades de falar palavras isoladas a sentenças.

O trabalho premiado faz parte de um conjunto de pesquisas mais amplas que replica trabalhos anteriores realizados com palavras isoladas e expande para o ensino de sentenças. “Para falar sentenças necessitamos produzir diferentes palavras de acordo com uma determinada ordem, exemplo: Juca espreme limão; Duda come doce. No caso das crianças do estudo, todas sabiam articular a fala com bastante precisão quando estavam diante das sentenças escritas; contudo, quando estavam diante das figuras representativas das sentenças a fala era articulada com bastante distorção”, explicou.

O trabalho expôs as crianças a um conjunto procedimentos de ensino que entrelaçou sentenças ditadas, sentenças escritas, figuras representativas de sentenças e a composição de sentenças. Após a integração de todos esses elementos, as funções exercidas pelas sentenças escritas foram expandidas para suas figuras representativas, sem distorções. Além disso, as crianças aprenderam muito mais, pois puderam compor novas sentenças, derivadas da recombinação de elementos das sentenças ensinadas, exemplo: se ensinar "Juca espreme limão" e "Duda come limão" é possível obter, sem ensino direto, as sentenças "Juca come limão" e Duda espreme limão", derivada da recombinação de elementos das sentenças anteriores. Do resultado desse conjunto de trabalhos são desenvolvidos procedimentos que são, primeiramente testados e posteriormente adotados na reabilitação e treinamento auditivo desses indivíduos.

“Considero que este seja mais um trabalho realizado por esta instituição que dá visibilidade às atividades de pesquisa e aplicação desenvolvidas pela Unesp, incluindo inserção social”, finalizou a pesquisadora Ana Claudia.