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Pesquisa avalia eficácia de procedimentos de ensino de Língua Inglesa junto a crianças

Estudo foi premiado na 49ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia

Avaliar a eficácia de diferentes procedimentos de ensino – tato e ouvinte – na aprendizagem de um pequeno vocabulário em língua estrangeira em crianças da rede pública de ensino. Este é o objetivo da pesquisa de mestrado realizada por Mayara da Silva Ferreira no Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPsi) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O estudo recebe financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

No ensino de tato, a pessoa é ensinada a, por exemplo, nomear estímulos – que podem ser, dentre outras coisas, figuras de objetos ou animais. O estímulo visual é apresentado com uma pergunta relacionada, e a criança é solicitada a responder, dizendo o nome correspondente. Para evitar erros, nas primeiras tentativas, é apresentada uma dica vocal (a resposta correta) imediatamente após a apresentação do estímulo visual. Ao longo das tentativas, conforme a criança vai atingindo critérios de aprendizagem, a dica vai sendo atrasada, até que o aprendiz responda corretamente de forma independente. Os acertos são sempre seguidos por elogios e, quando ocorrem erros, a dica é reapresentada.

Já no procedimento de ensino de ouvinte, são apresentados três estímulos visuais, com uma instrução (como “aponte azul”), e, neste caso, a pessoa deve apontar para o estímulo que tenha a característica solicitada (no exemplo, apontar a cor azul). Aqui também há a dica que vai sendo atrasada e as consequências para certos e erros são as mesmas usadas no ensino de tato.

Na pesquisa, os dois procedimentos são empregados de forma alternada ao longo das sessões para apresentar um pequeno vocabulário na Língua Inglesa às crianças. As atividades envolvem estímulos de dois elementos: cor e objeto. Para tanto, são usados cartões impressos com objetos preenchidos por cores específicas.

Inicialmente, no caso da aplicação do ensino de tato, a pesquisadora apresenta um estímulo visual – um cartão com uma dada cor – e uma pergunta relacionada àquele estímulo (“que cor é esta em Inglês?”). No procedimento do ensino de ouvinte, ela apresenta, simultaneamente, três estímulos visuais – três cartões, cada um com uma cor – e dá uma instrução (por exemplo, “aponte blue” – azul).

“Na primeira fase, a criança aprende cores com um dos procedimentos, ensino de tato ou de ouvinte. Por exemplo, white (branco), green (verde) e blue (azul). Em seguida, ela aprenderá as cores já ensinadas na etapa anterior e, também, objetos. Exemplos possíveis agora são white mug (caneca branca), green book (livro verde) e blue fork (garfo azul). Nesta fase, cada objeto possui uma das três cores ensinadas na primeira fase, por isso a importância de ter esses dois elementos nos cartões utilizados no experimento”, explica.

Em sua pesquisa, Ferreira avalia qual dos dois procedimentos empregados produz tanto uma aprendizagem mais rápida quanto uma maior generatividade. “Ensino três pares de estímulos (três cores e três objetos) para cada um dos tipos de procedimento de ensino. Ao final, testo 30 novas combinações entre cor e objeto, que não foram ensinadas diretamente nas fases de ensino”, explica. A generatividade, assim, consiste na aprendizagem de novas relações verbais em língua estrangeira que não foram diretamente ensinadas ao longo do estudo.

A coleta de dados é realizada no Laboratório de Estudos do Comportamento Humano (LECH) da UFSCar, com crianças participantes de um programa de ensino de leitura e escrita, de escolas públicas, com idade entre oito e nove anos. Intitulada Avaliando a eficácia dos ensinos de tato e ouvinte com estímulos de dois elementos na aquisição de língua estrangeira”, a pesquisa tem orientação de Mariéle Cortez, docente do Departamento de Psicologia (DPsi) da Instituição e pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE), com sede também na UFSCar.

O trabalho está em andamento e os resultados encontrados até o momento são promissores. Os procedimentos adotados estão sendo eficientes no ensino de estímulos de dois elementos (cor e objeto) em Inglês. No entanto, o ensino de tato tem se mostrado mais eficaz. Neste procedimento, as crianças apresentam altos índices de acerto nos testes desde as primeiras fases de ensino, com um número menor de exposições às tentativas de ensino quando comparado ao procedimento de ouvinte.

 Ferreira também detectou que, após o ensino de apenas três pares de cor e objeto (independentemente do procedimento adotado), as crianças foram capazes de recombinar cores e objetos não ensinados diretamente juntos. Outro dado de destaque, na avaliação da pesquisadora, envolve o fato do procedimento ser aplicado com estudantes que não passaram por aprendizagem formal ou informal de Inglês, além de apresentarem dificuldades de leitura e escrita em Português. “Apesar dessas condições, ao final do estudo todas as crianças expostas aos nossos procedimentos de ensino foram capazes de aprender, tendo em vista que saíram falando palavras em Inglês e aplicando o que foi aprendido no dia a dia. Em diversos momentos, ao me encontrar, elas diziam frases como ‘hoje estou vestindo uma camisa green’ ou ‘sua blusa é blue, tia’”, relata a mestranda.

Ao final da análise, a pesquisa buscará colaborar com a construção de programas de ensino de língua estrangeira mais eficazes. “Isto significa proporcionar uma aprendizagem sem erros, rápida e ‘econômica’ no sentido de garantir o estudo de um grande número de relações verbais e recombinações entre estímulos a partir do ensino direto de poucos pares de estímulos (como cor e objeto). Além disso, a dissertação visa contribuir para o avanço científico dos estudos em comportamento verbal dentro da Análise do Comportamento, colaborando assim com o desenvolvimento da ciência psicológica”, ressalta.

 O estudo conquistou o segundo lugar no Prêmio Luiz Marcellino de Oliveira, destinado ao melhor trabalho na categoria Mestrado apresentado na 49ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), realizada de 22 a 25 de outubro na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, em conjunto com o 1º Congresso de Psicologia Ambiental e Relações Pessoa-Ambiente, da Associação Brasileira de Psicologia Ambiental e Relações Pessoa-Ambiente (Abrapa). Mais informações sobre o evento estão disponíveis em seu site.

 

Legenda da foto: Experimentadora realiza procedimento de ensino de ouvinte com criança (Crédito: Divulgação)

Sobre o INCT-ECCE

O tema de investigação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE) é a aprendizagem de relações, especialmente de relações simbólicas e conceituais. O ECCE também vem explorando as implicações das descobertas em seu campo de estudos para a formulação, implementação e avaliação de programas de ensino de habilidades e conceitos acadêmicos, voltando-se, particularmente, para populações desafiadoras, com necessidades educativas especiais. O Instituto é financiado por convênio entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, por intermédio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Há, também, financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Mais informações em https://inctecce.com.br.

 

 

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O INCT-ECCE divulga o seu novo vídeo institucional, apresentando o programa e vários projetos em andamento. 

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Pesquisadora da Universidade de Oxford fala de ferramentas digitais em saúde mental em conferência no Brasil

Evento aconteceu no escopo do segundo ciclo da Escola de Altos Estudos (EAE) sobre crianças e adolescentes em situação de risco

No dia 2 de dezembro, foi apresentada na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) a conferência “Digital tools in mental health: social and ethical considerations” (Ferramentas digitais em saúde mental: considerações sociais e éticas), proferida por Ilina Singh, professora de Neurociência e Sociedade na Universidade de Oxford, Inglaterra, onde realiza pesquisa conjunta entre o Departamento de Psiquiatria e a Faculdade de Filosofia (Centro de Oxford para Neuroética e Centro Uehiro). Seu trabalho examina as implicações psicossociais e éticas dos avanços da Biomedicina e da Neurociência para jovens e famílias e reflete um compromisso de longa data de levar as experiências de crianças e jovens à avaliação ética, à tomada de decisão clínica e à formulação de políticas.

Na ocasião, Singh abordou perspectivas sobre as plataformas digitais no apoio à saúde mental, especialmente para jovens com distúrbios, como transtorno bipolar e psicose, além de refletir sobre os desafios éticos relacionados a essas tecnologias. Essas ferramentas podem, de fato, auxiliar no monitoramento constante de determinadas características do usuário, conforme ocorre a inserção de dados. No entanto, a pesquisadora propôs perguntas abertas e reflexivas sobre a temática: “Será que, em casos de saúde mental, a inteligência artificial poderia substituir completamente o ser humano? E o ‘quanto’ ela precisaria ser humana, como medir este algoritmo?”, refletiu.

Para ela, é provável que as plataformas digitais não substituam totalmente o papel terapêutico da figura humana, principalmente em casos mais graves, em distúrbios nos quais as pessoas se sentem moralmente vulneráveis, como costuma ser o caso de jovens com psicose. “Os humanos são muito importantes no contexto de saúde mental digital. Nesse sentido, podemos pensar que essas plataformas podem ser úteis, por exemplo, se focadas em diagnóstico de sintomas, sem necessariamente substituir a intervenção humana terapêutica”, sugere Singh.

A pesquisadora elencou diversos desafios associados ao tema. Um deles envolve a ética na criação de aplicativos envolvendo saúde mental, atualmente focada em questões de segurança, proteção de dados e usabilidade, o que pode deixar de lado a importância de contar com um terapeuta humano acompanhando o processo. “Ao substituir o terapeuta por um algoritmo, temos diversos desafios éticos, como a própria aliança terapêutica, que diz respeito à relação clínico-paciente e que tem se mostrado importante, especialmente no que se refere à prática do ouvir e do testemunhar histórias”, ressaltou Singh.

Outro ponto relevante relacionado às plataformas digitais em saúde mental consiste em levar em conta os diferentes contextos de cada país ou local. “Nós precisamos pensar além de um contexto nacional, entendendo a ética e a sensibilidade culturais de cada país. Por isso é tão importante dialogarmos e refletirmos sobre outras realidades”, pondera a pesquisadora.

O evento aconteceu no escopo do segundo ciclo da Escola de Altos Estudos (EAE) - Crianças e Adolescentes em Situação de Risco: Dimensões Éticas, Intervenção e Inovação Científica, proposta contemplada no Edital EAE nº 14/2018, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e realizada pelos programas de pós-graduação em Psicologia (PPGPsi) e em Educação Especial (PPGEEs) da UFSCar; pelos programas de pós-graduação em Psiquiatria e em Saúde Mental da Universidade de São Paulo (USP); e pelos programas de pós-graduação em áreas correlacionadas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Salgado de Oliveira (Universo).

A iniciativa conta, também, com o apoio dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) sobre Comportamento, Cognição e Ensino (ECCE), coordenado por Deisy das Graças de Souza, docente do Departamento de Psicologia (DPsi)da UFSCar, e sobre Psiquiatria do Desenvolvimento para Crianças e Adolescentes (INPD), coordenado por Eurípedes Constantino Miguel, docente do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

 

Sobre a EAE - Crianças e Adolescentes em Situação de Risco

A Escola de Altos Estudos (EAE) - Crianças e Adolescentes em Situação de Risco: Dimensões Éticas, Intervenção e Inovação Científica tem como objetivo principal disseminar conhecimento científico de ponta sobre o impacto de experiências de adversidade e negligência no desenvolvimento humano, bem como discutir possibilidades de intervenção, mantendo um olhar atento para as questões éticas envolvidas. A proposta é a de investir neste campo investigativo em três dimensões indissociáveis: a elucidação de abordagens preventivas; a divulgação de modelos clínicos e institucionais bem sucedidos no atendimento de crianças e adolescentes em situação de risco; e a análise aprofundada dos aspectos éticos que norteiam a pesquisa e a intervenção com estes grupos. Mais informações sobre a EAE podem ser obtidas no site e em página no Facebook.

 

Sobre a pesquisadora

Ilina Singh é pesquisadora integrante dos projetos ADHD Voices, Neuroenhancement Responsible Research and Innovation e Urban Brain Project. Em 2014, recebeu o prêmio Wellcome Trust Senior Investigator Award pelo estudo intitulado “Tornar-se bom: intervenção precoce e desenvolvimento moral na psiquiatria infantil”. Além disso, contribuiu com vários grupos científicos e políticos, incluindo os Institutos Nacionais de Excelência Clínica do Reino Unido (Nice), os Institutos Nacionais de Saúde Mental dos EUA (NIMH) e o Nuffield Council on Bioethics. É copresidente do Conselho Consultivo de Ética do projeto EU-AIMS sobre tratamentos para o autismo e consultora especialista do National Autism Project.

 

Foto: Ilina Singh no Teatro Universitário Florestan Fernandes da UFSCar (Crédito: Adriana Arruda)

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Cursos da UFSCar capacitam professores em habilidades sociais e relações interpessoais 

Formação parte da vida cotidiana do professor, base para formação pedagógica voltada à articulação entre aprendizagem acadêmica e desenvolvimento socioemocional dos alunos

Foto: Professores participantes em encontro presencial de avaliação do curso (Crédito: Naara Alho)

Empatia, autocontrole, saber falar e trabalhar em público, lidar com críticas, solucionar problemas. Estas e outras habilidades, tão frequentemente debatidas na atualidade, compõem o desenvolvimento socioemocional de pessoas nos âmbitos pessoal e profissional, sendo reconhecidamente relevantes para a formação das futuras gerações. É possível desenvolvê-las desde a infância em processos didáticos, juntamente com a aprendizagem acadêmica?

Zilda Aparecida Pereira Del Prette, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE), com sede na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e docente vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPsi) da Universidade, vem, ao longo das últimas décadas, investindo justamente na elaboração conceitual, na pesquisa e na prática em habilidades sociais e relações interpessoais. O trabalho é desenvolvido junto ao seu grupo de pesquisa, de Relações Interpessoais e Habilidades Sociais (RIHS) [http://www.rihs.ufscar.br/]. “Parte desse esforço foi direcionado para questões educacionais e de ensino-aprendizagem. Com base em nossas descobertas de pesquisas e, também, na literatura pertinente, podemos afirmar que o sucesso escolar está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento socioemocional dos alunos e que ambos devem ser simultaneamente promovidos em um processo de ensino-aprendizagem-desenvolvimento”, explica Del Prette.

Para conduzir esse processo, é preciso que o professor aperfeiçoe suas próprias habilidades sociais educativas e, assim, consiga estabelecer e mediar condições de ensino que garantam o envolvimento ativo, interativo e afetivo do aluno com sua aprendizagem escolar, como explica a pesquisadora. “Definimos habilidades sociais educativas do professor como aquelas ações pedagógicas intencionalmente voltadas para planejar, conduzir e mediar interações sociais educativas com e entre os alunos, bem como para avaliar a qualidade e os resultados dessas interações.” Essas habilidades incluem desde o arranjo físico e social do ambiente até a estimulação, monitoria e feedback do desempenho dos alunos. Assim, com essas condições de ensino e uma capacitação adequada, além de melhorar a aprendizagem acadêmica e o desenvolvimento cognitivo dos estudantes, o professor pode fomentar a prática e o aperfeiçoamento desses alunos nas características citadas inicialmente e em muitas outras – habilidades de empatia, assertividade, cooperação, autocontrole, falar em público, trabalhar em grupo, lidar com críticas e solucionar problemas.

Cursos em habilidades sociais

Para alcançar essa realidade, a partir desses estudos e pesquisas, Zilda Del Prette e Almir Del Prette, também docente vinculado ao PPGPsi, e sua equipe, criaram iniciativas que capacitam professores em habilidades sociais. Uma delas é o curso “Habilidades sociais na escola mediadas pelo professor”, um programa de formação continuada ofertado a distância, com 120 horas. A atividade, voltada a professores do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, é composta por embasamento conceitual sobre habilidades sociais (textos especialmente produzidos para os professores), exercícios de análise de interações sociais, exposição a vídeos ilustrativos e tarefas interpessoais que requerem a prática de habilidades sociais e de habilidades sociais educativas. “Por exemplo, ao aprender sobre empatia, o cursista é solicitado a analisar situações de interação e também a interagir empaticamente com pessoas fora do ambiente escolar. Na escola, é solicitado a exercer seu papel de suporte emocional dos alunos e criar condições de ensino de empatia”, descreve. A docente relata que pesquisa subjacente ao curso tem como objetivo testar se programas de habilidades sociais com efetividade comprovada em contexto presencial são também efetivos via educação a distância (EaD), o que justificaria sua disseminação em ofertas mais amplas.

A iniciativa já está em andamento, com previsão de atendimento a professores de mais de 50 escolas – públicas e particulares –, predominantemente de São Carlos (com 15 instituições participantes), mas que também envolvem mais 22 cidades – Americana, Araraquara, Cosmorama, Descalvado, Dourado, Ibaté, Iracemápolis, Itapetininga, Itu, Jundiaí, Laranjal Paulista, Limeira, Mococa, Piracicaba, Porto Ferreira, Ribeirão Bonito, Ribeirão Preto, Rio Grande da Serra, Santo André, São José do Rio Pardo, Sorocaba e Votorantim. Segundo Del Prette, há avaliações contínuas das aquisições dos docentes, bem como do impacto sobre os alunos, em termos de indicadores de desempenho acadêmico e de desenvolvimento socioemocional. 

Além desta iniciativa, projeto semelhante é aplicado junto a professores da Educação Infantil, conduzido por Talita Pereira Dias, que realiza seu pós-doutorado no PPGPsi, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), sob supervisão de Zilda Del Prette. “Ele é particularmente relevante para a Educação Infantil, pois a escolarização da criança pequena deve ser focada mais no desenvolvimento socioemocional do que no acadêmico”, explica a supervisora. Este curso é presencial, com 110 horas, e é ofertado a 20 professores e seus alunos, o que totaliza cerca de 400 crianças de seis escolas públicas municipais de Passos (MG). “Os resultados preliminares mostram efetividade do curso sobre os professores, mas a avaliação completa ainda está sendo processada e inclui avaliação do desenvolvimento socioemocional das crianças pelos pais”, explica a docente.

Há, também, outras iniciativas esporádicas de capacitação, como a “Orientação Técnica em Habilidades Sociais e Desenvolvimento Socioemocional para vice-diretores e coordenadores pedagógicos”, realizada a pedido da Diretoria Regional de Ensino de São Carlos. Iniciada com o total de 12 horas, envolveu 25 vice-diretores e 38 coordenadores pedagógicos, contemplando 30 escolas de anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. “Essa demanda reflete o interesse dos educadores na temática socioemocional e, também, a preocupação em atender as exigências da atual política educacional. Já acertamos uma continuidade dessas ações em 2020 junto à Diretoria de Ensino”, conta a pesquisadora.

 

Sobre o INCT-ECCE

O tema de investigação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE) é a aprendizagem de relações, especialmente de relações simbólicas e conceituais. O ECCE também vem explorando as implicações das descobertas em seu campo de estudos para a formulação, implementação e avaliação de programas de ensino de habilidades e conceitos acadêmicos, voltando-se, particularmente, para populações desafiadoras, com necessidades educativas especiais. O Instituto é financiado – no âmbito do programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) – por convênio entre a Fapesp e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, por intermédio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Mais informações em https://inctecce.com.br.